Como se Instalam os Paradigmas e as Convicções Sexuais...
O ser humano é confrontado, desde a aurora de sua existência, com uma dupla dimensão: de um lado o Cosmos, o mundo natural em que está inserido e, do outro, o seu corpo e mais precisamente o carácter sexual desse corpo. É a partir dessa dupla polaridade que ele se insere no mundo e cria os símbolos da sua existência social e dos seus mitos.
Alguns acontecimentos da nossa História ilustram a importância da sexualidade na cultura:
A civilização babilônica, o nosso ancestral cultural mais antigo, cultivava o amor sensual e orgulhava-se disso. Outro exemplo destes diferentes modos de viver a sexualidade é a pederastia (relação entre homens maduros e jovens) na Grécia antiga. Essas relações ocupavam lugar de destaque naquela sociedade e tinham a função de transformar o jovem em cidadão da Pólis. Chamadas de homofilia por alguns estudiosos, essas relações evoluíam para a amizade (philia) entre os mais velhos e os jovens adultos e não tinham o sentido de homossexualidade como a entendemos hoje.
Segundo historiadores, foi o Cristianismo que introduziu a noção de “pecado da carne”, embora desde a Antiguidade já existisse a exortação ao domínio de si e dos prazeres. Ainda hoje é possível encontrar na sexualidade e nas práticas sexuais, sinais legados pelo Cristianismo para a história da civilização ocidental, associados a interditos (proibições), como a noção de culpa.
Os tabús têm origem em diferentes épocas e culturas: o incesto, por exemplo, relaciona-se com a melhoria biológica da espécie; já a exigência da preservação da virgindade feminina antes do casamento aparece na sociedade ocidental num momento de mudança político-económica, em que a propriedade privada ocupa lugar de destaque no campo social. A transmissão de bens materiais e de propriedades deveria dar-se unicamente aos descendentes legítimos (a virgindade da mulher, ao casar-se, e a fidelidade ao marido seriam a garantia disso).
Os séculos XII e XIII foram marcados pela moral sexual do mundo cristão porque, nessa época, as normas fixaram-se em três direções: o pecado; a separação entre clérigos e leigos; e o casamento. O matrimónio surge como uma concessão, um remédio para tratar o ardor do desejo sexual. Disse o apóstolo Paulo aos coríntios: “É bom para o homem abster-se da mulher. Mas, por causa das fornicações, que cada homem tenha sua mulher, e, cada mulher, seu marido.” (I Cor, VII, 1-2) Toda a Idade Média é marcada pela noção do pecado. É o período em que se queimavam as mulheres acusadas de bruxaria e do apogeu das práticas de auto-flagelação.
A “Era Vitoriana”, no século XIX, durante o reinado da Rainha Vitória na Inglaterra, ficou bastante conhecida pela rígida repressão das práticas sexuais, acompanhadas de intensa valorização da vida familiar.
Já na segunda metade do século XX, assistimos nas sociedades ocidentais a uma verdadeira revolução nas relações homem/mulher e no papel social feminino. Por exemplo, através da introdução da pílula anti-concepcional no mercado, na década de 60, que proporcionou a separação entre o acto sexual e procriação."
Já na segunda metade do século XX, assistimos nas sociedades ocidentais a uma verdadeira revolução nas relações homem/mulher e no papel social feminino. Por exemplo, através da introdução da pílula anti-concepcional no mercado, na década de 60, que proporcionou a separação entre o acto sexual e procriação."
É então possível alterar, adaptar e reconstruir as convicções e os paradigmas vigentes em cada época. Basta que o ser humano assim o entenda, assim o deseje e o faça, tendo em conta o seu bem-estar e o respeito por si e pelos outros.
in EducaRede.org
Sem comentários:
Enviar um comentário